Era sangue que nos unia,
sexta-feira, 20 de março de 2026
Borboletas
A ponta da asa da borboleta, retinta,
paira, quase sem intenção,
como algo que não decide se fica
ou simplesmente desaparece.
E a chama do lampião extinta
deixa o espaço mais pesado,
não exatamente escuro,
mas vazio de direção.
E nem tudo tinha graça,
nem mesmo o que antes distraía,
havia um cansaço espalhado nas coisas,
um tipo de silêncio que não explica.
Nem a porta escorada segurava
o vento gelado que soprava,
ele entrava sem pedir,
ocupava tudo devagar.
E no meio disso,
restava só a sensação
de que algo já tinha ido embora
antes mesmo de ser entendido.
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domingo, 20 de julho de 2025
Janela
Há uma pedra
no peito e outra na janela.
Olho para fora
sem saber se é fuga
ou um pedido de socorro
feito em silêncio.
O dia pesa
como armário antigo
que empurram contra mim
todos os minutos
enquanto sorrio no e-mail,
no ponto,
na entrega.
Eu não pedi muito,
apenas um gesto de humano
dentro do calendário mecânico,
onde se marca hora,
mas não se marca dor.
Eu digo que estou cansado,
e o mundo ouve sem escutar,
como quem responde “tudo bem?”
e já vira o rosto
antes da resposta.
Estou no limite,
mas ainda respiro.
Estou no limite,
mas ainda escrevo.
E se escrevo,
não enlouqueci.
E se enlouquecer,
que seja num verso,
e não no silêncio
que devora homens
com crachás no pescoço.
Sei que estou falando demais,
mas prefiro falar
do que virar pedra,
e cair,
inútil,
no fundo do dia.
Obrigado por ouvir.
Obrigado por deixar
que eu seja humano,
ao menos aqui,
diante da janela,
enquanto respiro.
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sexta-feira, 2 de maio de 2025
Multidão
Nas trajadas vestes de escusas esquinas
percorrer os muros em tardes finas
passando os dedos nos tons da calçada
o tempo desfia tua quase-nada
o sol desenhava nuas lacunas
nas janelas lentas, nas paredes algumas
e o vento soprava teu nome no fio
como quem chama sem fazer ruído
as sombras dançavam na rua esquecida
onde a lembrança traça tua vida
o cheiro da chuva no chão de cimento
me traz teu perfuro olhar em cada momento
te vi disfarçada nas frestas do bonde
no vidro embaçado da hora de ontem
e o mundo girava num tom menor
enquanto teu riso faltava ao redor
havia saudade nas costuras do caos
nos sinos partidos da igreja central
e um samba baixinho, no peito calado
cantava teu nome num tom molhado
me vi num banco da velha estação
ouvindo os trilhos do meu coração
e cada partida que ali passava
era o eco triste da tua palavra
teu rosto surgia em qualquer janela
no voo sereno da minha'lma em vão
e mesmo a cidade em sua multidão
não distraía essa solidão
no céu a tarde vestia um turqueza
do tom que morava em sua beleza
e o dia morria no mesmo lugar
em que tua ausência vinha se fixar
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quarta-feira, 30 de outubro de 2024
Das Cinzas e da Sombra
Das cinzas ergue-se um grito profundo,
Um lamento antigo que a noite abraça;
Como quem vaga entre o fim deste mundo
E a escuridão fria que nunca passa.
Nos corredores da dor, ecos sussurram,
Memórias sombrias e velhas feridas;
E os corvos, nos olhos de quem já erraram,
Veem a marca das lutas perdidas.
A alma cambaleia, envolta em penumbra,
Como chama frágil, tremendo em vão;
Mas há força oculta, em si mesma se oculta,
Que a vida renova no chão do carvão.
Por trás do luto, ergue-se uma outra figura,
Que aceita as sombras e delas se veste;
Renasce em trevas, fria armadura,
Pois do escuro o fraco jamais reveste.
Que lágrimas caiam, sal e maldição,
Que sejam as gotas rubras do lamento;
Mas há beleza na escuridão,
No renascer de cada tormento.
Assim, de luto, do escuro se ergue,
E toma as rédeas de sua ruína;
Pois só quem andou entre a sombra que fere,
Sabe a força que, na dor, germina.
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sexta-feira, 11 de outubro de 2024
Meu antigo sentir
O tempo passa devagar
Mas no meu peito é veloz
Tua lembrança a me guiar
Em cada sombra de nós
E quando a noite cair
Eu sei que vou me perder
No que eu não pude mudar
No que eu não pude esquecer
Não adianta chorar
Não adianta sorrir
Nada deixa de ser
Meu antigo sentir
A gente tenta se enganar
Com novos passos no chão
Mas todo riso a disfarçar
É só silêncio e ilusão
E quando o dia acordar
Eu sei que vou me prender
Nas horas que vão passar
Mas não conseguem te ter
Não adianta chorar
Não adianta sorrir
Nada deixa de ser
Meu antigo sentir
Postado por Ramirez às 12:14 0 comentários
domingo, 22 de setembro de 2024
Perdido do amor
Entre sombras e silêncios me encontro, Perdido em labirintos de saudade, O amor que um dia foi meu porto, Agora é bruma, é só tempestade.
Caminho sem rumo, sem norte, Em desertos de lembranças vagueio, O coração, naufrago de sua sorte, Em ondas de dor e de anseio.
Teu sorriso, estrela que guiava, Tornou-se espectro em noites escuras, E o abraço que antes me aconchegava, Hoje é vazio, são amarguras.
Os dias, antes cheios de luz, Agora se arrastam em penumbra, Cada passo, eco que me seduz, Para o abismo que em mim se aprofunda.
Perdi-me em ti, em nós, no que fomos, E na ausência, reencontro meu ser, Ainda que, em pedaços, recolho A força de amar, de novo viver.
Mas por ora, sou vento sem direção, Vagando em mundos que não são meus, Esperando que a vida, em sua canção, Cure as feridas, apague os adeus.
E assim, perdido mas seguindo, No fim do amor, encontro meu começo, Na dor, renasço, vou construindo Um novo eu, um novo endereço.
Postado por Ramirez às 19:53 0 comentários
Ser Você
Ser você é um ato de coragem,
Navegar nas águas da própria verdade,
Onde as ondas do medo tentam te afastar,
Mas o vento da alma insiste em soprar.
Nos olhos do mundo, espelhos se quebram,
Refletem fragmentos de quem você é,
Mas dentro de si, a essência repousa,
Esperando o momento de florescer.
Os desafios chegam como tempestades,
Testam a firmeza do seu navegar,
Mas é no enfrentá-los, sem hesitar,
Que as raízes do ser começam a criar.
Permita-se errar, permita-se cair,
Pois cada tropeço ensina a seguir,
A força não está em nunca falhar,
Mas em levantar e continuar.
Ser você é um ato de amor,
Abraçar o desconhecido com fervor,
E ao encarar o novo, sem medo, enfim,
Descobrir o infinito que habita em si.
Postado por Ramirez às 19:52 0 comentários
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
Muerte
Ela está ali desde as mínimas idades
espreitando na espinha, trazendo calafrios
sussurrando loucuras, duras realidades
Ela é de dar medo e aumenta o batimento
murmúrios de muitos, agonizante sofrimento
da ate pra sentir no assobio do vento
Para alguns dura pouco os que tem sorte
para outros nem tanto, rápida, infalível e forte
em uns escolhidos é lenta, rastejante
Eis que digo ninguém, ninguém escapa da morte
Postado por Ramirez às 12:13 0 comentários
O chamado
Divirta-se com sua insanidade,
faça do terror obra de arte,
transforme harmonia em caos,
desordene a ordem das coisas.
Ordene que façam o errado,
seja o sádico,
faça um precipício,
atire-se e voe de olhos fechados.
Faça teu silêncio o grito mais alto,
queime-se por dentro,
corte-se por fora.
Ame a ti mesmo.
E morra, dignamente,
seja alguem lembrado da história.
Eu tenho saudade do tempo
que não volta de quando eramos infantos
agora sao infartos e prantos
responsabilidades realidades
Me rendi e me entreguei ao abismo
esse criado por mim mesmo
ninguem mais
Postado por Ramirez às 10:44 0 comentários
quinta-feira, 20 de agosto de 2020
Zonas
Há de se ter medo
há de ser ter medo eu repito
bem ali entre conforto e conflito
porque sobre medo não se fala
Não se pode ser dito
Onde a gente balança no mar aflito
marés baixas e ondas gigantes
navegando formigas e elefantes
Mas há também de se ter esperança
dois passos para trás para pegar impulso
pois coragem não existe, sem insegurança
E sem se arriscar ninguém avança
Postado por Ramirez às 18:27 0 comentários
Marcadores: poesia
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
Um recado para mim
Sabe minha criança
Esse barulho ai na montanha
É algo que não vou te contar
Pois não posso te falar
Coisa que não quer ouvir
O futuro que te aguarda
Só pode ser trilhado
De mão dada e confiante
Mas da pra ver de longe
O medo em seu semblante
Minha criança
Meu medo, sentimento
De todas montanhas do mundo
Recrio minha criança
Amadureço a todo momento
Postado por Ramirez às 08:01 0 comentários
Marcadores: poesia
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Três horas da manhã
O estouro chegou
Era quase eminente
Estou chegando
Avisava pra gente.
Desesperos a parte
Estamos ansiosos
Uma ligação sem resposta
Mas contávamos com a sorte.
E eu de consorte
Que é dia de vida
E a dor se alastrava
É chegada a saída.
Acaso!
E corria a água quente
Torrente, forte e fluindo
Tão forte quanto a ansiedade
Daquele momento sentiríamos saudade.
Ai saímos de supetão
Eu você sua mãe e nossa antemão
Conseguimos chegar no destino
Mas mais uma surpresa, cabotino.
Ao chegar no lugar sem locomoção
Andares à subir, não, certamente não
Ali mesmo numa sala
Somente de espera
Estamos juntos, acuados
Ojeriza!
Não tenha medo, vai dar tudo certo
E o incerto aguardou seu tempo
E o aviso veio, seu ombro no meu
Fique tranquila, estou contigo
Aquela luz toda, atrapalhava o momento
Mas até a musica tinha, engajamento
Vamos ouvir você, bate forte
Reconhecimento!
Mudança de planos, o caminho é aberto
Vamos subir, e gira essa roda
Sai entrando no quarto, sua mãe busca água
Conforto aparente, aquela dor sem mágoa
Aquele empuxo, constrição, luz baixa
Ta tudo bem, ainda ta tudo bem.
Escuta denovo, mamãe e papai
To chegando, puxa mais um pouquinho vai?
Desdobramento!
Agora mamãe um ultimo empurrão
E já da pra ver eu aparecendo um pouco
Nessa hora meu pai e minha mãe apavorados
Que sufoco que sufoco
E do nada eu cheguei nesse mundo
Com um monte de gente preocupada
Minha respiração tava ausente
Meu coração amuado
Mas depois de dois toquinhos
Nas minhas costas acinzentadas
Eu soltei um grito
Que ecoou na salas
Meu nome é Leon, e sou a criança mais amada.
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sexta-feira, 6 de julho de 2018
Colisão
pulei da cama agora
lençol revirado
eu, todo estirado
sem você ao meu lado
ai bateu uma saudade
misturada com um que de sacanagem
e uma vontade imensa de transar com você
o sangue começou a ferver
lembrando de você gemendo
nossos corpos colidindo
e depois de gozar sorrindo
ai bateu uma
saudade
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terça-feira, 24 de abril de 2018
Agora somos três
Engraçado como a, vida
E uma sequencia, viva
De tanta emoção
Parece uma montanha, russa
Adrenalina, expulsa
Toda solidão
Até te encontrar, estava
Tão perdido, andava
E de dores ri
-
Primeiro era sem nó
Cada qual só seu
mais nenhum ali
Primeiro era sem nó
Cada qual só seu
mais nenhum ali
-
Então viramos, dois
E tanto amor, depois
Chegou a conclusão
Que a gente nada, sabia
E se braçando, ria
Dessa confusão
Agora somos, três
chegada nossa, vez
Tem mais um coração
Agora somos, três
chegada nossa, vez
Tem mais um coração
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quinta-feira, 8 de março de 2018
Pequenas Palavras
Hoje eu dedico essas pequenas palavras,
Diante do meu verdadeiro
Sentimento a vocês mulheres.
Nós tão exíguos, gerados por vocês,
E é tanta coisa que na verdade me faltam palavras,
O dia de vocês é todo dia, não só uma vez.
Lindas, deusas, maravilhosas,
Geram, nutrem, criadoras,
Inspiram, transcendem, conta histórias.
E eu me sinto tão pequeno
Comparado a realidade
Que meus amores por mulheres são tantos
Fogem a realidade.
Mas uma coisa é segredo
E é a coisa que me deixa mais feliz
Não contarei agora
Mas em breve saberás
Meu impulso são duas mulheres
Nada mais, nada mais.
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Lá foi e Alijou-se
Vejo que buscas
Em seus lamentares anódinos
Passeios entre-cá-e-lá de mixórdias
Pensamentos confusos
Agires obtusos
E com isso exime-se
de quaisquer ligações arraigadas
Que ao acaso com carinho foram regadas
Lástimas, a serem sempre alvitrada.
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Uma era de merda
Uma nova era
Novos ídolos
Velhos preconceitos
Aos pouco vencidos
Gente imatura
Ainda tem muita
Mas o que tem pouco
É de deixar todo mundo puto
Honestidade.
Falta em muita gente
Também quem diz que não mente
Pra quem sangra o coração do povo
E faz chorar o velho e o novo
Desse nosso país sofrido
Até em fila de doação
Ninguém tem pena, mermão
Passa rápido coronhada na cara
E da senhora o pouco levara.
E com os olhos marejados
Me despeço saindo de lado
Me apego nos amores
Que a vida tem me dado.
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quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Contei pra um amigo no bar
Ah ...
Se tu soubesses
Que o riso não foi pouco
E o caminho tortuoso
E se ...
Alguém dissesse
Mesmo que com pesares
Nada aqui foi em vão
Mesmo quente o chão ...
Me levanto sete ...
Dou um jeito na cabileira
Ponho a beca, e meu quepe
E no balaço do dia-a-dia venha a falar
Tudo vale
Quando estou de volta ao lar
Tudo vale
Quando estou de volta ao lar
Diga-la.
Postado por Ramirez às 00:23 0 comentários
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Aquele sorriso
Hoje acordei com uma vontade imensa
De te ter em meus braços
E te fazer sorrir
De não ver a hora passar
E contigo dormir
Seguindo de poesia boba
Meio piegas
No fundo meu coração
Um sorriso por ti carregas
Esse meio de canto de boca sabe?
Que você as vezes questiona
Com curiosidade imensa
De saber o que me emociona
Não tem segredo nenhum
Já está estampado
A pura felicidade que emana
De estar ao seu lado
Postado por Ramirez às 10:05 0 comentários

