Das cinzas ergue-se um grito profundo,
Um lamento antigo que a noite abraça;
Como quem vaga entre o fim deste mundo
E a escuridão fria que nunca passa.
Nos corredores da dor, ecos sussurram,
Memórias sombrias e velhas feridas;
E os corvos, nos olhos de quem já erraram,
Veem a marca das lutas perdidas.
A alma cambaleia, envolta em penumbra,
Como chama frágil, tremendo em vão;
Mas há força oculta, em si mesma se oculta,
Que a vida renova no chão do carvão.
Por trás do luto, ergue-se uma outra figura,
Que aceita as sombras e delas se veste;
Renasce em trevas, fria armadura,
Pois do escuro o fraco jamais reveste.
Que lágrimas caiam, sal e maldição,
Que sejam as gotas rubras do lamento;
Mas há beleza na escuridão,
No renascer de cada tormento.
Assim, de luto, do escuro se ergue,
E toma as rédeas de sua ruína;
Pois só quem andou entre a sombra que fere,
Sabe a força que, na dor, germina.


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