A ponta da asa da borboleta, retinta,
paira, quase sem intenção,
como algo que não decide se fica
ou simplesmente desaparece.
E a chama do lampião extinta
deixa o espaço mais pesado,
não exatamente escuro,
mas vazio de direção.
E nem tudo tinha graça,
nem mesmo o que antes distraía,
havia um cansaço espalhado nas coisas,
um tipo de silêncio que não explica.
Nem a porta escorada segurava
o vento gelado que soprava,
ele entrava sem pedir,
ocupava tudo devagar.
E no meio disso,
restava só a sensação
de que algo já tinha ido embora
antes mesmo de ser entendido.


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