Nas trajadas vestes de escusas esquinas
percorrer os muros em tardes finas
passando os dedos nos tons da calçada
o tempo desfia tua quase-nada
o sol desenhava nuas lacunas
nas janelas lentas, nas paredes algumas
e o vento soprava teu nome no fio
como quem chama sem fazer ruído
as sombras dançavam na rua esquecida
onde a lembrança traça tua vida
o cheiro da chuva no chão de cimento
me traz teu perfuro olhar em cada momento
te vi disfarçada nas frestas do bonde
no vidro embaçado da hora de ontem
e o mundo girava num tom menor
enquanto teu riso faltava ao redor
havia saudade nas costuras do caos
nos sinos partidos da igreja central
e um samba baixinho, no peito calado
cantava teu nome num tom molhado
me vi num banco da velha estação
ouvindo os trilhos do meu coração
e cada partida que ali passava
era o eco triste da tua palavra
teu rosto surgia em qualquer janela
no voo sereno da minha'lma em vão
e mesmo a cidade em sua multidão
não distraía essa solidão
no céu a tarde vestia um turqueza
do tom que morava em sua beleza
e o dia morria no mesmo lugar
em que tua ausência vinha se fixar


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