Entre sombras e silêncios me encontro, Perdido em labirintos de saudade, O amor que um dia foi meu porto, Agora é bruma, é só tempestade.
Caminho sem rumo, sem norte, Em desertos de lembranças vagueio, O coração, naufrago de sua sorte, Em ondas de dor e de anseio.
Teu sorriso, estrela que guiava, Tornou-se espectro em noites escuras, E o abraço que antes me aconchegava, Hoje é vazio, são amarguras.
Os dias, antes cheios de luz, Agora se arrastam em penumbra, Cada passo, eco que me seduz, Para o abismo que em mim se aprofunda.
Perdi-me em ti, em nós, no que fomos, E na ausência, reencontro meu ser, Ainda que, em pedaços, recolho A força de amar, de novo viver.
Mas por ora, sou vento sem direção, Vagando em mundos que não são meus, Esperando que a vida, em sua canção, Cure as feridas, apague os adeus.
E assim, perdido mas seguindo, No fim do amor, encontro meu começo, Na dor, renasço, vou construindo Um novo eu, um novo endereço.


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